Construída por colonos portugueses durante o período colonial, foi oficialmente classificada como Património Histórico-Cultural de Angola.
A decisão foi formalizada através de um Decreto Executivo (decreto n.º 286/17, de 8 de maio de 2017) e visa preservar um dos mais sensíveis testemunhos da história do tráfico de escravos no país.
De acordo com o documento, o pequeno templo religioso ergue-se como símbolo do papel que as ilhas adjacentes à antiga cidade de São Paulo de Loanda desempenharam como ponto estratégico de concentração, armazenamento e embarque clandestino de africanos escravizados, capturados no interior da então colónia. Trata-se, assim, de um espaço de memória e reflexão sobre o passado doloroso da escravatura e da ocupação colonial.
Esta classificação aconteceu numa altura em que entrou em elaboração um plano diretor para requalificar a península de Mussulo, referência do turismo em Luanda, considerado urgente para travar o na altura “cenário de desordem” em termos de ocupação naquela área.
A elaboração deste projeto está a cargo, desde 2011, do Gabinete Técnico de Gestão da Requalificação e Desenvolvimento Urbano do Perímetro Costeiro da Cidade de Luanda, Futungo de Belas e Mussulo.
“Urge alterar a atual situação de desordem nos assentamentos da população na península que, em boa parte, atentam contra o frágil ecossistema ambiental e influenciam a qualidade de vida de todos os usurários desta linda e importante parcela da nossa cidade de Luanda”, defendeu recentemente Rodrigo dos Santos, diretor daquele gabinete, na apresentação da proposta em consulta pública e dependente ainda do Governo.
A Capela da Ilha do Mussulo destaca-se pela sua arquitetura colonial simples e vernacular, com fortes influências das construções religiosas portuguesas dos séculos XVII e XVIII adaptadas aos materiais locais.
Principais Características Estruturais:
Fachada e Frontispício: Apresenta uma fachada retangular simples, encimada por um frontão triangular clássico. É comum encontrar uma pequena cruz de pedra ou ferro no topo.
Planta: A estrutura possui uma planta retangular de nave única, típica das capelas e ermidas coloniais de pequena dimensão construídas em zonas periféricas ou de veraneio.
Paredes e Materiais: Construída com paredes grossas de alvenaria de pedra, cal e, em muitos casos da região, misturas que incluíam areia e óleo de baleia para garantir maior resistência à humidade e à maresia.
Cobertura: O telhado é tradicionalmente de duas águas, originalmente coberto por telhas cerâmicas do tipo colonial.
P.S: O telhado de duas águas possui duas superfícies inclinadas que se encontram no topo em uma linha central chamada cumeeira, formando um formato triangular.